{"id":106,"date":"2025-08-20T17:13:30","date_gmt":"2025-08-20T20:13:30","guid":{"rendered":"http:\/\/tai-hsuan-an.com\/?p=106"},"modified":"2025-09-15T01:56:31","modified_gmt":"2025-09-15T04:56:31","slug":"grande-vento-que-nao-para-de-soprar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/tai-hsuan-an.com\/?p=106","title":{"rendered":"Grande vento que n\u00e3o para de soprar"},"content":{"rendered":"\n<p>&nbsp;Parte do texto do livro de mesmo nome, por Px Silveira<\/p>\n\n\n\n<p>\u201cO homem \u00e9 a cabe\u00e7a, n\u00e3o tenho d\u00favida. Mas a mulher \u00e9 o pesco\u00e7o que a faz mudar de dire\u00e7\u00e3o e virar para dizer sim ou n\u00e3o\u201d. Quem diz esta verdade universal em tom de blague, com sua mulher ao lado, \u00e9 Tai Hsuan-an.<\/p>\n\n\n\n<p>Ele \u00e9 artista, arquiteto, pesquisador, escritor, fil\u00f3logo, designer e professor, n\u00e3o exatamente nesta ordem. Entre todos seus atributos, vamos ao come\u00e7o: Tai \u00e9 chin\u00eas, nasceu em 1950 em um pequeno povoado do sudeste, chamado Hukou, cravado na regi\u00e3o dos Hakka, prov\u00edncia Guang Dong, em uma fam\u00edlia de quatro irm\u00e3os.<\/p>\n\n\n\n<p>Hakka \u00e9 um povo da etnia Han, oriundo da Plan\u00edcie Central chinesa, que durante quase dois mil anos, em grandes migra\u00e7\u00f5es, radicou-se finalmente em v\u00e1rias prov\u00edncias do sul da China e em alguns pa\u00edses do sul da \u00c1sia. A di\u00e1spora desse povo fez com que ele ganhasse o nome Hakka, \u201ch\u00f3spedes\u201d, assim mesmo, espelhando transitoriedade onde quer que estivesse, pois acreditava-se que um dia voltaria para a sua terra de origem.<\/p>\n\n\n\n<p>Hukou era mesmo pequeno. Uma rua asfaltada come\u00e7ava na perpendicular da pequena esta\u00e7\u00e3o ferrovi\u00e1ria. E outra rua do povoado ia acompanhando os trilhos da ferrovia passando por alguns quarteir\u00f5es que terminavam no imenso arrozal que o cercava por todos os lados. Era isso.<\/p>\n\n\n\n<p>Como tamanho n\u00e3o \u00e9 documento, Tai teve ali o cen\u00e1rio ideal para uma inf\u00e2ncia feliz, bastante pr\u00f3ximo da natureza. Menino curioso, em especial, ele se lembra de seus experimentos com lib\u00e9lulas e gafanhotos, fascinado pelas descobertas que iam aos poucos tecendo seu mundo de crian\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>Na escola, conforme a tradi\u00e7\u00e3o chinesa, o menino Tai teve desde cedo detectadas suas aptid\u00f5es e passou a frequentar aulas diferenciadas, na chamada Sala das Cores, dirigidas \u00e0queles alunos que tinham predile\u00e7\u00e3o pelo desenho e pela cria\u00e7\u00e3o de formas visuais de express\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Como se a arte lhe fosse algo heredit\u00e1rio, Tai se lembra de j\u00e1 desenhar mesmo quando ainda engatinhava. Gra\u00e7as \u00e0 educa\u00e7\u00e3o chinesa, o que ele aprendeu em primeiro lugar na escola de seu povoado foram as t\u00e9cnicas prim\u00e1rias da pintura, da aquarela, da aguada, do desenho e, de import\u00e2ncia fundamental, a t\u00e9cnica da escultura, que usava para fazer brinquedos. Estas foram depois ampliadas pelas t\u00e9cnicas mistas, que iriam lhe ensinar a combinar uma com as outras, e pela xilogravura.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao se formar na China pela escola prim\u00e1ria (ensino b\u00e1sico com dura\u00e7\u00e3o de 6 anos) Tai recebe do seu professor de arte, He Zhixiang, em 1962, a seguinte mensagem, que lhe marcou: \u201cA maior felicidade \u00e9 o resultado obtido pelo seu pr\u00f3prio esfor\u00e7o cont\u00ednuo. Espero que se esforce com a sua intelig\u00eancia para se tornar um grande pintor do S\u00e9c. XXI e com seus pinceis tra\u00e7ar uma espl\u00eandida vida\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim passaram-se seus primeiros 15 anos. Mas nem tudo estava como deveria. Mesmo ap\u00f3s a funda\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica Popular da China, em 1949, permanecia ainda a instabilidade entre a regi\u00e3o costeira do sudeste e Taiwan, onde o ex\u00e9rcito nacionalista havia se refugiado. A guerra civil n\u00e3o parecia terminar e isso trazia muita inseguran\u00e7a para a popula\u00e7\u00e3o. Foi ent\u00e3o que seus pais decidiram emigrar para a Am\u00e9rica do Sul, momento em que o Brasil despontou como um portal para o futuro irradiando grande esperan\u00e7a.<\/p>\n\n\n\n<p>O pai veio na frente e logo depois veio toda fam\u00edlia: a m\u00e3e e seus quatro filhos. Era agosto de 1965. A viagem foi de navio, com dura\u00e7\u00e3o de 40 dias e chegada no porto de Santos. Viveram a princ\u00edpio no estado de S\u00e3o Paulo, com breve passagem pelo Paran\u00e1, sempre trabalhando em fazendas, seja na planta\u00e7\u00e3o ou na colheita.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao cabo de 2 anos, com um emprego de fazer arranjos em uma floricultura, Tai consegue se estabelecer em S\u00e3o Paulo, capital, juntamente com uma de suas irm\u00e3s, onde come\u00e7a a estudar no per\u00edodo noturno. Agora, por sua vez de vir na frente, em pouco tempo ele prepararia a ida de toda fam\u00edlia para a capital paulista.<\/p>\n\n\n\n<p>Foram tempos dif\u00edceis. Para complementar o pouco sal\u00e1rio que recebia, logo ele descobre que poderia vender suas pinturas tradicionais chinesas, com os temas de cavalos, flores, p\u00e1ssaros e paisagens, no espa\u00e7o dominical ao lado da Biblioteca M\u00e1rio de Andrade, perto da Feira de Arte e Cultura que acontecia na Pra\u00e7a da Rep\u00fablica, no centro da cidade. Fazia-as em uma t\u00e9cnica que tinha como \u00fanico inconveniente o fato de n\u00e3o permitir erro, aprendera no seu antigo povoado e agora a dominava inteiramente, com pinceladas r\u00e1pidas de aguada e nanquim sobre o fundo branco do papel, o que lhe permitia uma boa produ\u00e7\u00e3o semanal, toda ela escoada entre seus muitos admiradores de rua, fazendo assim engordar seu ganho mensal.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img fetchpriority=\"high\" decoding=\"async\" width=\"389\" height=\"252\" src=\"http:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-110\" srcset=\"https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image.png 389w, https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-300x194.png 300w, https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-93x60.png 93w\" sizes=\"(max-width: 389px) 100vw, 389px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Eis que a vida vai mudando para melhor. Tai come\u00e7a o namoro com a Lee, aquela que seria sua futura esposa e m\u00e3e de suas duas filhas goianienses, Marina e Lian. Para completar o quadro de nascente felicidade, gra\u00e7as \u00e0 incans\u00e1vel insist\u00eancia de seu pai, ele \u00e9 finalmente admitido como disc\u00edpulo pelo mestre Sun Chia-chin (1969).<\/p>\n\n\n\n<p>Sun Chia-chin foi um erudito, indo muito al\u00e9m de pintor, escritor e professor. Era reservado e utilizava todo seu tempo para se ocupar de alguma forma de cria\u00e7\u00e3o. Criara e ent\u00e3o ministrava, na Universidade de S\u00e3o Paulo, o curso de l\u00edngua, hist\u00f3ria e civiliza\u00e7\u00e3o da China. Para o disc\u00edpulo Tai ele foi bem mais que um transmissor de t\u00e9cnicas, seria tamb\u00e9m aquele que o faria se aprofundar nos conhecimentos sobre a arte e a cultura chinesas, embora morando em um pa\u00eds distante.<\/p>\n\n\n\n<p>E a vida vai melhorando rapidamente. Ao mesmo tempo em que lavava lou\u00e7a e varria o ch\u00e3o do ateli\u00ea de seu mestre (que por sua vez era um dos disc\u00edpulos favoritos do grande mestre Chang Dai-chien), Tai obteve em 1976 a diploma\u00e7\u00e3o em arquitetura pela Universidade de S\u00e3o Paulo, USP (ele se recorda que escolhera este curso por ser o mais pr\u00f3ximo \u00e0 express\u00e3o art\u00edstica).<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;Pelas voltas que o mundo d\u00e1 -e trazido n\u00e3o pelo Grande Vento, como veremos, mas pelo \u201cpesco\u00e7o\u201d e a paix\u00e3o que fazem balan\u00e7ar a cabe\u00e7a, Tai vem morar em Goi\u00e2nia, capital do estado de Goi\u00e1s, no ano de 1977. De fato, quem teve que vir mesmo foi sua mulher amada, Lee Chen Chen, contratada para dar aulas de radiobiologia e bioestat\u00edstica na Universidade Federal de Goi\u00e1s. Tai veio acompanhando-a com apenas duas exig\u00eancias: que gostasse da cidade e que arrumasse um emprego.<\/p>\n\n\n\n<p>O emprego ele arrumou logo: no mesmo ano de sua chegada foi convidado pela Universidade Cat\u00f3lica, hoje Pontif\u00edcia, a lecionar desenho e pintura em substitui\u00e7\u00e3o a frei Nazareno Confaloni, rec\u00e9m-falecido. \u00c0 cidade ele se adaptaria acolhido que fora pela densa arboriza\u00e7\u00e3o de suas ruas e, principalmente, seus quintais amplos e sortidos. E hoje ele confessa que nunca se arrependeu de seguir piamente a dire\u00e7\u00e3o que lhe foi indicada.<\/p>\n\n\n\n<p>Ainda rec\u00e9m chegado, ele come\u00e7a a trabalhar no escrit\u00f3rio do arquiteto Silas Varizo, ent\u00e3o um dos principais profissionais de Goi\u00e2nia, onde numa bela manh\u00e3 conheceu os artistas Cleber Gouv\u00eaa e S\u00e1ida Cunha, seus primeiros incentivadores locais.<\/p>\n\n\n\n<p>E como n\u00e3o poderia deixar de ser -e dessa vez certamente movido pelo Grande Vento (como ainda veremos mais adiante), com a media\u00e7\u00e3o do Cleber o rec\u00e9m chegado n\u00e3o tardou em fazer a sua primeira exposi\u00e7\u00e3o de pinturas, exclusivamente de paisagens chinesas, realizada nas depend\u00eancias do Hotel Bandeirantes, Sal\u00e3o Marrom, local dos mais elegantes acontecimentos daquela ainda charmosa e muito pacata capital de Goi\u00e1s.<\/p>\n\n\n\n<p>A exemplo do mestre Dai-chien no Louvre, Tai apresenta nesta exposi\u00e7\u00e3o o estilo estritamente obediente \u00e0 tradi\u00e7\u00e3o art\u00edstica chinesa (guohua), sem qualquer apar\u00eancia de personaliza\u00e7\u00e3o. Mas nos anos seguintes sua produ\u00e7\u00e3o vai se abrindo \u00e0 influ\u00eancia de novos protagonistas: a flora e fauna cerratenses e o contato com os artistas locais, o que nos permite afirmar que se Tai nasceu na China, em Goi\u00e1s ele renasceria.<\/p>\n\n\n\n<p>&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp;&nbsp; A afirma\u00e7\u00e3o acima, \u201ccomo n\u00e3o poderia deixar de ser\u201d, \u00e9 uma grande verdade em se tratando da trajet\u00f3ria do Tai. Isso porque, filho de pai inventor, fot\u00f3grafo, arquiteto avant <em>la lettre<\/em>, ator e m\u00fasico multi-instrumentista, Tai, o primog\u00eanito, foi dos irm\u00e3os o mais pr\u00f3ximo do pai e aquele fadado desde pequeno a seguir seus passos, alargando as fronteiras e abrindo novas sendas nos caminhos iniciados pelo seu progenitor, \u201ccomo n\u00e3o poderia deixar de ser\u201d, repete ele pr\u00f3prio.<\/p>\n\n\n\n<p>Para falar com mais detalhes, essa coisa de ser um artista come\u00e7ou logo aos 3 anos. S\u00f3 que a palavra ainda n\u00e3o era esta: artista. O mais indicado seria dizer que Tai era um garoto curioso. Rabiscava aqui, desenhava ali, fazia suas pequenas descobertas criativas em todas suas atividades e por todos os lugares que ia. O que n\u00e3o foi nenhum problema para a fam\u00edlia, ao contr\u00e1rio, ele foi sempre incentivado neste sentido e nesta dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Seu pai, que atendia pelo nome de Wen-lu, um senhor inquieto, cordato, criativo e de vis\u00e3o de longo alcance, o apoiou desde os primeiros momentos, quando o artista ainda engatinhava. Presenteava o pequeno filho com material de desenho e o incentivava a mostrar-lhe tudo o que fazia. Da\u00ed em diante, uma longa estrada foi se abrindo.<\/p>\n\n\n\n<p>A caminhada seria mesmo longa, mas o primeiro passo fora dado: Tai desde muito cedo demonstrava vontade e talento, recebia apoio familiar (a m\u00e3e, Huang Pen-mei, tamb\u00e9m lhe cobria de incentivos e o encorajava) e assim, desde onde lhe permite dizer a mem\u00f3ria, Tai pintou por toda sua inf\u00e2ncia e adolesc\u00eancia.<\/p>\n\n\n\n<p>Mesmo assim, j\u00e1 chegado a S\u00e3o Paulo, para ser artista de verdade ainda faltava aquele \u201calgo mais\u201d que lhe daria o impulso definitivo. \u00c9 que, em sendo chin\u00eas, \u00e9 \u00f3bvio que teria que ter nesta hist\u00f3ria a figura de um mestre. Mas com Tai foi um pouco diferente. Um mestre s\u00f3, n\u00e3o. Tai teve dois. Ou melhor dizendo, um mestre de contato direto, do qual extraiu o refinamento t\u00e9cnico, e outro ascendente, mestre de seu mestre, a quem n\u00e3o chegou a conhecer pessoalmente, no qual encontrou a postura filos\u00f3fica e existencial de ser um artista.<\/p>\n\n\n\n<p>Tal dedica\u00e7\u00e3o faz de Tai, na atualidade, o mais importante artista chin\u00eas em atividade no Brasil e, na China, conforme o tempo foi passando, ele \u00e9 considerado um dos mais importantes expoentes da Da Feng Tang, escola de pintura que em tradu\u00e7\u00e3o livre para o portugu\u00eas quer dizer Grande Vento.<\/p>\n\n\n\n<p>Para ser aceito como disc\u00edpulo de Sun Chia-chin, Tai foi indicado por seu pai (de quem o mestre era amigo e dependente do fornecimento de material art\u00edstico) e teve que se valer de uma grande paci\u00eancia para suportar a longa espera at\u00e9 o mestre chegar \u00e0 sua decis\u00e3o final. Tempo no qual ele foi avaliado indiretamente pelo futuro mestre e acompanhado em seu comportamento.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao final, comunicada a decis\u00e3o de aceite, foi realizada uma cerim\u00f4nia com duas cadeiras dispostas no lado principal da sala, sendo uma para o mestre e outra, vazia durante toda cerim\u00f4nia, para o esp\u00edrito do grande mestre fundador da Grande Vento, aquele considerado o Picasso do Oriente, Chang Dai-chien.<\/p>\n\n\n\n<p>Chang Dai-chien, ou Zhang Daqian (Neijiang, 10\/05\/1899-Taip\u00e9, 02\/04\/1983), foi um dos mais c\u00e9lebres e vers\u00e1teis artistas da China no s\u00e9culo XX. Pintor, cal\u00edgrafo, poeta e colecionador de arte chinesa, come\u00e7ou sua carreira como um pintor tradicionalista, para depois expandir e criar sua pr\u00f3pria escola se aproximando do expressionismo abstrato.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img decoding=\"async\" width=\"527\" height=\"340\" src=\"http:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-5.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-116\" srcset=\"https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-5.png 527w, https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-5-300x194.png 300w, https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-5-93x60.png 93w\" sizes=\"(max-width: 527px) 100vw, 527px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img decoding=\"async\" width=\"491\" height=\"374\" src=\"http:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-109\" style=\"width:515px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2.jpeg 491w, https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-300x229.jpeg 300w, https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-435x332.jpeg 435w, https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-79x60.jpeg 79w\" sizes=\"(max-width: 491px) 100vw, 491px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Ele morou durante algum tempo no Brasil, depois de passar pela Argentina. Veio como um exilado da China, cuja guerra civil implantou o regime comunista que dura at\u00e9 hoje e transformou a China em pot\u00eancia mundial. Foi sua presen\u00e7a que atrairia para S\u00e3o Paulo o artista Sun Chia-chin, seu disc\u00edpulo e futuro mestre do Tai.<\/p>\n\n\n\n<p>Ao vir para o Brasil, Chang Dai-chien trouxe junto sua fama, que representava uma enorme bagagem, e por onde ele ia era saudado com as devidas honras. Instalou-se em Mogi das Cruzes (1954), onde construiu um fabuloso mundo \u00e0 parte, com o paisagismo t\u00edpico de seu pa\u00eds de origem, contendo um Jardim das Oito Virtudes (Bade Yuan), tendo ao seu redor cinco pavilh\u00f5es no tradicional estilo chin\u00eas (Wu Ting Hu) e um lago artificial complementando a paisagem, \u00e0s margens do qual mantinha o h\u00e1bito de enterrar seus pinceis depois que estes se tornavam imprest\u00e1veis pelo trabalho criador.<\/p>\n\n\n\n<p>Deste seu para\u00edso em Mogi, que fui inundado por uma represa governamental, ele foi para a cidade vizinha de Taia\u00e7upeba. Sua presen\u00e7a no Brasil, de 1953 a 1977, foi motivo de orgulho nacional e de diversas reportagens em revistas (com destaque para a Manchete) e jornais. Chang Dai-chien era ent\u00e3o um mito inalcan\u00e7\u00e1vel para o ainda candidato a disc\u00edpulo Tai, que era apenas um iniciante em estado de adora\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p>Hoje, infelizmente, a \u00e1rea em que Dai-chien construiu seu \u00c9den est\u00e1 toda ela submersa por uma grande represa que abastece de \u00e1gua pot\u00e1vel a cidade de Mogi das Cruzes. Os mestres se foram, do Brasil -e da vida terrena. Sun Chia-chin voltou antes para a China e Chang Dai-chien foi morar na California e depois seguiu para Taiwan. Tai Hsuan-an foi a semente que eles lan\u00e7aram no desconhecido solo brasileiro, onde fincou, germinou e passou a dar seus muitos frutos in\u00e9ditos.<\/p>\n\n\n\n<p>Vale lembrar como a Escola Grande Vento come\u00e7ou. \u00c9 Tai quem nos conta: \u201cQuando o mestre Chang Dai-chien fez uma exposi\u00e7\u00e3o no Louvre, na Paris de 1956, ele j\u00e1 era considerado um dos mais importantes pintores vivos da China. Por isso, teve o destaque que merecia, tanto quanto ao local da exposi\u00e7\u00e3o, o mais renomado museu da capital francesa, quanto \u00e0 import\u00e2ncia dada a ela por autoridades orientais e ocidentais, e tamb\u00e9m por diversos artistas em destaque naquele momento\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>E dentre estes artistas, l\u00e1 estava Pablo Picasso. Tai continua: \u201cConta a hist\u00f3ria que Picasso entrou na exposi\u00e7\u00e3o com muito respeito e olhou detidamente quadro por quadro. Ao final, dirigindo-se ao artista, fez uma observa\u00e7\u00e3o que para alguns poderia soar como elogio e, para outros, como cr\u00edtica. Disse Picasso que naqueles quadros ele via uma realiza\u00e7\u00e3o de alt\u00edssima qualidade e da mais alta express\u00e3o do que seria uma arte conhecida e reconhecida como feita na China, mas que, no entanto, ele era incapaz de perceber a m\u00e3o do artista. Em outras palavras, Picasso estava dizendo a Chang Dai-chien que suas pinturas eram \u00f3timas, mas careciam de estilo pessoal e personalidade\u201d.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi ent\u00e3o que se iniciou uma grande mudan\u00e7a pessoal que ecoaria em toda a arte visual chinesa, pois o grande mestre levou muito a s\u00e9rio estas palavras. E desde aquele momento sua pintura passou por um processo de recria\u00e7\u00e3o e altera\u00e7\u00f5es profundas. N\u00e3o da \u00e1gua para o vinho, como se diz no Ocidente, mas da tradi\u00e7\u00e3o para a cria\u00e7\u00e3o, como se constatou primeiramente no Oriente tradicionalista, n\u00e3o sem algumas resist\u00eancias, pelo apego aos artistas e mestres do passado.<\/p>\n\n\n\n<p>A observa\u00e7\u00e3o colhida no Louvre serviu para o mestre Chang como um combust\u00edvel para sua prol\u00edfica inspira\u00e7\u00e3o, diz o seu disc\u00edpulo Tai. Ele ent\u00e3o se soltou em pinceladas mais amplas ao retratar as tradicionais paisagens e demais motivos de sua pintura, passando antes a \u2018manchar\u2019 o fundo das telas, usando as t\u00e9cnicas de esparramar e salpicar tintas, como se fosse uma pintura abstrata, e a romper com outros c\u00e2nones da tradicional pintura chinesa, como o uso extensivo da tinta branca e outras cores antes evitadas.<\/p>\n\n\n\n<p>E foi assim, como tudo que d\u00e1 certo e ganha import\u00e2ncia, que Chang Dai-chien come\u00e7ou a ser seguido por outros artistas e acabou por fundar uma escola, que recebeu o nome de Grande Vento (que era como ele chamava seu ateli\u00ea), hoje com ramifica\u00e7\u00f5es no Oriente e no Ocidente, e com a qual Tai se identificou e a ela se dedicou inteiramente. A tal ponto foi sua dedica\u00e7\u00e3o que, pouco antes da morte de seu mestre, em 2010, j\u00e1 h\u00e1 muito morando em Goi\u00e2nia, um belo dia Tai atende o telefone e do outro lado da linha Sun Chia-chin lhe pede que v\u00e1 a S\u00e3o Paulo, porque ele gostaria de lhe dar um presente que julgava ser muito precioso.<\/p>\n\n\n\n<p>Foi um presente e tanto. Ali\u00e1s, nesta ocasi\u00e3o Tai recebeu n\u00e3o um, mas dois presentes. O mestre come\u00e7ou por lhe entregar uma centena de folhas de um rar\u00edssimo papel de algod\u00e3o de tamanho grande (100 x 220cm), formato fora de padr\u00e3o e quase imposs\u00edvel de se achar, feitas na China de maneira artesanal, mistas de celulose e tecido. Algo de uma textura inigual\u00e1vel, folhas macias ao mesmo tempo que especialmente resistentes ao tempo, que n\u00e3o vincam e com as quais Tai faz hoje algumas de suas mais expressivas cria\u00e7\u00f5es.<\/p>\n\n\n\n<p>O outro presente foi imaterial, algo intang\u00edvel mas n\u00e3o menos importante. O mestre segredou, n\u00e3o sem uma ponta de orgulho, que o seu disc\u00edpulo Tai passara a constar nos manuais chineses como um dos mais importantes pintores vivos da linha Grande Vento (!!!).<\/p>\n\n\n\n<p>Essa revela\u00e7\u00e3o o deixou nas nuvens, como se diz por aqui, mas sem perder o ch\u00e3o, como \u00e9 t\u00edpico do Tai, que por onde vai sempre nos mostra que se deve caminhar passo a passo, com planejamento e extrema dedica\u00e7\u00e3o. E sem alarde. Pois se tem uma coisa que Tai Hsuan-an n\u00e3o perde \u00e9 essa sua simplicidade \u00ednsita que, por vezes, o torna quase invis\u00edvel. Seus modos se nos apresentam de uma maneira af\u00e1vel e com uma farta dose de humildade que lhe parece ser intr\u00ednseca, embora ele seja no mundo das artes uma alma de grande realeza.<\/p>\n\n\n\n<p>Tai, ainda hoje (e assim sempre haver\u00e1 de ser), pinta como aprendeu com os seus mestres chineses: a tela sem o chassis, deitada sobre o ch\u00e3o, na horizontal, virada para o c\u00e9u. Nesta posi\u00e7\u00e3o o tecido (ou o papel) \u00e9 capaz de receber boas doses de tinta sem deixar escorrer. E o artista aproveita para espalhar as cores de maneira leve e \u00e1gil, com a gravidade a seu favor, por vezes utilizando tamb\u00e9m a seu favor o acaso, deixando-o se instalar ali sob seus p\u00e9s e sob seu controle.<\/p>\n\n\n\n<p>S\u00f3 depois de ser trabalhado todo o fundo da obra \u00e9 que a tela \u00e9 levantada. A partir deste momento, com a obra na vertical e sobre um cavalete (se acontece de j\u00e1 estar no chassis), Tai come\u00e7a a trabalhar os detalhes da pintura, que s\u00e3o quase infinitos, como quer a natureza, em um processo que depura, acrescenta, elimina, suaviza, acentua, chama, esconde, enfim, seguindo um fazer extremamente org\u00e2nico, que faz a tela parecer querer pulsar e, ao final, o artista poder dizer: pronto, agora \u00e9 com voc\u00ea, come\u00e7ou mais um mundo! E parece que, de t\u00e3o envolvente, de um momento para outro a pintura pode mudar, conforme o movimento do observador, assim como acontece com a natureza, conforme o movimento do sol.<\/p>\n\n\n\n<p>Diante de suas paisagens ficamos esperando as folhas come\u00e7arem a tremular e a terra exalar o cheiro inconfund\u00edvel de seus quadrantes. O que Tai faz \u00e9 uma arte de sinergias tem\u00e1ticas que convergem para resultados novos utilizando-se de elementos globais unindo as duas bandas da Terra, Ocidente e o Oriente. Suas telas s\u00e3o frutos de sua cultura hibrida, assimilada por muitas misturas geogr\u00e1ficas e tem\u00e1ticas, e expressa artisticamente por meio de uma t\u00e9cnica pessoal e \u00fanica que, tamb\u00e9m por sua vez, une os dois polos do Planeta e seus saberes.<\/p>\n\n\n\n<p>Dito de outra maneira, seguindo o esp\u00edrito de liberdade de seus mestres, Tai se expressa utilizando a t\u00e9cnica oriental com pequenas incorpora\u00e7\u00f5es ocidentais. Assim, retrata uma variada tem\u00e1tica tropical sobre fundo de paisagens reminiscentes, existentes somente em seu mundo particular, que ele cria de modo afetivo, a partir de sobreposi\u00e7\u00f5es da mem\u00f3ria.<\/p>\n\n\n\n<p>OS MUITOS TAIS<\/p>\n\n\n\n<p>Vamos por partes. Al\u00e9m do Tai pintor, que responde pelo seu lado de maior visibilidade, tem o Tai do desenho realista de aves e plantas. Este \u00e9 o realizador, entre outros, de uma cole\u00e7\u00e3o de desenhos cient\u00edficos com os quais vem sendo feita a paciente cataloga\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies das araras brasileiras e todos seus g\u00eaneros (psitac\u00eddeos), algumas hoje rareando em seus habitats e outras j\u00e1 consideradas extintas. Para sua consecu\u00e7\u00e3o ele faz pesquisas de campo, depois realiza estudos detalhados, que podem se repetir um sem n\u00famero de vezes, e por fim recria as aves no papel em seus m\u00ednimos detalhes de formas e cores, incluindo a postura natural com que se exibem na natureza.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas ocasi\u00f5es de suas pesquisas de campo Tai fotografa, faz anota\u00e7\u00f5es visuais e o estudo dos h\u00e1bitos das aves, para depois retrat\u00e1-las com muita calma e impressionante fidedignidade, em seu ateli\u00ea. O resultado \u00e9 uma cole\u00e7\u00e3o que vai aos poucos tomando forma, contando j\u00e1 com mais de 70 imagens das cerca de 90 pretendidas. Todas na t\u00e9cnica mista do desenho e aquarela, em formato 50x70cm, que no futuro v\u00e3o integrar um livro de interesse universal. Vale lembrar que os seus desenhos cient\u00edficos mereceram o grande pr\u00eamio Margareth Mee (1993), outorgado pela Funda\u00e7\u00e3o de mesmo nome em conjunto com o Museu Nacional de Belas Artes, no Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p>Digno de registro \u00e9 a abertura com que o artista recebe e se atualiza com novas t\u00e9cnicas, sendo a mais recente delas a incorpora\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica que lhe possibilita o aplicativo Procreate para Ipad, que lhe abriu novas dimens\u00f5es com sua interface intuitiva e recursos detalhistas.<\/p>\n\n\n\n<p>Tem, tamb\u00e9m, o Tai escultor, com trabalhos na t\u00e9cnica da madeira (entre seus trabalhos est\u00e1 a decora\u00e7\u00e3o da Capela S\u00e3o Jos\u00e9, no pr\u00e9dio da Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Goi\u00e1s; do aramado e do papel mach\u00ea; o Tai aquarelista, que gosta de trabalhar na calada da noite e faz cada obra de uma s\u00f3 investida, mantendo-o absorto por cerca de 40 minutos; o Tai gravador, principalmente na t\u00e9cnica da xilogravura, cujas matrizes s\u00e3o depois pintadas e transformadas em obras \u00fanicas; o Tai fabricante de brinquedos e engenhos, que s\u00e3o criados em sua pequena marcenaria montada junto ao ateli\u00ea.<\/p>\n\n\n\n<p>E tem o Tai pesquisador, fil\u00f3logo e escritor. Entre outros livros que publicou, n\u00e3o diretamente ligados a arte, tem o que se tornou o primeiro de seu g\u00eanero publicado no Brasil. \u00c9 o \u201cIdeogramas e a cultura chinesa\u201d, \u00fanico livro em l\u00edngua portuguesa de lingu\u00edstica transposta do Oriente ao Ocidente, com a tradu\u00e7\u00e3o comentada de 450 ideogramas, publicado em 2017 e j\u00e1 em terceira edi\u00e7\u00e3o, com mais uma centena de ideogramas acrescentados, sendo at\u00e9 hoje a \u00fanica publica\u00e7\u00e3o no Brasil sobre o tema.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"332\" height=\"488\" src=\"http:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-112\" style=\"width:366px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2.png 332w, https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-204x300.png 204w, https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-2-41x60.png 41w\" sizes=\"(max-width: 332px) 100vw, 332px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Outro livro de destaque da sua lavra e pesquisas \u00e9 o que compara sementes do cerrado com o design da atualidade, \u201cSementes do Cerrado e o Design Contempor\u00e2neo\u201d, e outros livros como \u201cDesenho e Organiza\u00e7\u00e3o Bi e Tridimensional da Forma\u201d e \u201cDesign, Conceitos e M\u00e9todos\u201d, todos eles imprescind\u00edveis para aqueles que estudam os temas, revelando tamb\u00e9m uma outra importante faceta do artista: o Tai educador.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"373\" height=\"470\" src=\"http:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-1.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-111\" srcset=\"https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-1.png 373w, https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-1-238x300.png 238w, https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-1-48x60.png 48w\" sizes=\"(max-width: 373px) 100vw, 373px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Radicado em Goi\u00e2nia h\u00e1 quase 50 anos (chegou em 1977), al\u00e9m de uma carreira art\u00edstica reconhecida e consolidada nos territ\u00f3rios da arte, Tai \u00e9 professor de design e arquitetura na Pontif\u00edcia Universidade Cat\u00f3lica de Goi\u00e1s (PUC-GO), onde assumiu o lugar deixado pelo italiano frei Confaloni e tem se ocupado, nessas cinco d\u00e9cadas, em desenvolver m\u00e9todos para liberar a criatividade dos alunos.<\/p>\n\n\n\n<p>E n\u00e3o nos esque\u00e7amos, tem o Tai arquiteto, formado na USP, considerada a melhor universidade do Brasil. A sua casa, no condom\u00ednio Aldeia do Vale, \u00e9 um bom exemplo deste seu lado, sendo toda ela autoral, desde a concep\u00e7\u00e3o e o desenho arquitet\u00f4nico, at\u00e9 o acabamento de pisos e escadarias. Foi tudo feito por ele, incluindo at\u00e9 mesmo o mobili\u00e1rio, pois tamb\u00e9m tem, ainda, o Tai carpinteiro. <a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/taihsuanan\/p\/DJXZBegJAdK\/\"><\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/taihsuanan\/p\/DJXZBegJAdK\/\">\u00a0<\/a><a href=\"https:\/\/www.instagram.com\/taihsuanan\/p\/DJXZBegJAdK\/\"><\/a><\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"458\" height=\"350\" src=\"http:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-3.jpeg\" alt=\"\" class=\"wp-image-113\" style=\"width:660px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-3.jpeg 458w, https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-3-300x229.jpeg 300w, https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-3-435x332.jpeg 435w, https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-3-260x200.jpeg 260w, https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-3-280x215.jpeg 280w, https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-3-79x60.jpeg 79w\" sizes=\"(max-width: 458px) 100vw, 458px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Tai Hsuan-an \u00e9 um artista visual completo, poder\u00edamos assim dizer. Sua arte vai pouco a pouco tomando uma grande forma e unindo impress\u00f5es, ambientes, geografias, situa\u00e7\u00f5es e narrativas que habitualmente estariam posicionadas em dois extremos: Oriente-Ocidente, China-Brasil, manchas-formas, abstra\u00e7\u00e3o-figura\u00e7\u00e3o, amplid\u00e3o-detalhes, brancos e cores, nitidez e bruma. Mas n\u00e3o se perde em dualidades, Tai elabora s\u00ednteses, por meio de converg\u00eancias e conex\u00f5es sutis. Ele prova em que vetores antag\u00f4nicos podem ser complementares e, por fim, se tornar uma unidade harmoniosa: sua obra.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full is-resized\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"437\" height=\"272\" src=\"http:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-3.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-114\" style=\"width:647px;height:auto\" srcset=\"https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-3.png 437w, https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-3-300x187.png 300w, https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-3-435x272.png 435w, https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-3-96x60.png 96w\" sizes=\"(max-width: 437px) 100vw, 437px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>Na cria\u00e7\u00e3o visual, os tra\u00e7os de Tai s\u00e3o pr\u00f3prios e inconfund\u00edveis, guiados pela for\u00e7a gentil do talento que habita os grandes artistas. Cada uma de suas obras \u00e9 a conflu\u00eancia de um aprendizado conquistado \u00e1rdua e pacientemente, dosando os fatores da sensibilidade e da t\u00e9cnica, e ajuntando aos dois a experi\u00eancia adquirida de uma extensa atividade ininterrupta que perpassa mais de sete d\u00e9cadas.<\/p>\n\n\n<div class=\"wp-block-image\">\n<figure class=\"aligncenter size-full\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" width=\"426\" height=\"478\" src=\"http:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-4.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-115\" srcset=\"https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-4.png 426w, https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-4-267x300.png 267w, https:\/\/tai-hsuan-an.com\/wp-content\/uploads\/2025\/08\/image-4-53x60.png 53w\" sizes=\"(max-width: 426px) 100vw, 426px\" \/><\/figure>\n<\/div>\n\n\n<p>E \u201ccomo n\u00e3o poderia deixar de ser\u201d para uma mente t\u00e3o dedicada, Tai \u00e9 v\u00edtima de acontecimentos prosaicos que enriquecem o folclore dos artistas. Alguns j\u00e1 entraram para o anedot\u00e1rio da fam\u00edlia, dos quais este texto n\u00e3o poderia se furtar de citar ao menos um exemplo.<\/p>\n\n\n\n<p>Em um per\u00edodo em que estava ocupado intensamente com o magist\u00e9rio, o tempo que o artista podia tirar para pintar era t\u00e3o somente o per\u00edodo noturno. Frequentar seu ateli\u00ea no centro da cidade estava perigoso, devido \u00e0s atividades de ladr\u00f5es de carro. Depois de lhe roubarem o primeiro, ele ent\u00e3o bolou uma estrat\u00e9gia. Passou a colocar blocos de pregos escorando os quatros pneus, de maneira que estes seriam furados ao arranque do ve\u00edculo. Tudo perfeito, n\u00e3o fosse por um detalhe: o pr\u00f3prio dono. Um dia, Tai esqueceu de retirar sua armadilha e ele mesmo furou seus pneus. Como n\u00e3o tinha quatro estepes, foi um a um levando-os para borracharia mais pr\u00f3xima.<\/p>\n\n\n\n<p>E assim, Tai, felizmente ainda guiado pelo mesmo \u201cpesco\u00e7o\u201d e mesma paix\u00e3o j\u00e1 h\u00e1 mais de meio s\u00e9culo, j\u00e1 com o primeiro neto integrado \u00e0 fam\u00edlia, para nosso g\u00e1udio \u00e9, tamb\u00e9m, uma grande alma goiana: Tai Hsuan-na, que ama pequi com guariroba.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Px Silveira<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p>Bi\u00f3grafo, produtor e curador de exposi\u00e7\u00f5es do Tai desde a d\u00e9cada de 1980, entre elas: \u201cElo a frente\u201d, \u201cAteli\u00ea invertido\u201d, \u201cSauda\u00e7\u00f5es\u201d, \u201cEtc e Tai\u201d e \u201cDi\u00e1spora, Converg\u00eancias e Conex\u00f5es em 40 anos na arte de Tai Hsuan-an\u201d. pxsilveira@me.com<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp;Parte do texto do livro de mesmo nome, por Px Silveira \u201cO homem \u00e9 a cabe\u00e7a, n\u00e3o tenho d\u00favida. 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